sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Labareda no frio.



Sou labareda.
Não tenho frio, mas está frio!

Ando mal vestido,
Não quero, não posso,
Não há agasalho,
Não me agasalho não.

Estou pegando fogo.
Não é febre, nem doença
Não é tristeza, nem alegria,
Será energia? Um estado de ebulição?

Estou pegando fogo,
Não hei de me queimar,
Já estou carvão!

Não me protejo,
Não me dispo,
Não quero.
Não quero o não.

Nada faz sentido,
Falta o ar,
Faltam sentimentos,
Faltam até ambição.
E se nada valha à pena,
Sei que não há o não.

É a labareda que queima o frio,
A febre sem a doença,
O nada sem a emoção.

Mas, se não há com o que lutar,
Não há o porquê de lutar.
Não há o nada... o nada...
Há nada não!

Nenhum comentário:

Postar um comentário