terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cortina de Fumaça




Sei que não é hora,
Não é dia e nem local,
Assim como a fumaça que toma o meu rosto,
Vejo poesia em teu bojo, me entrego em teus seios.
Se aquele que no rosto bafora se entrega,
Em teu ventre, me perco em desejos.

Dessa forma, a poesia invade o meu dia,
Se te olho, requebro, retorço, lampejos.
Fôlegos entre línguas entrelaçadas.
Amor, desvarios, desejos.

Não há mal que nos afligem,
Apenas gestos insensatos que pomos em termos.
Seu amor, em mim é sublime
Faz nascer e renascer a cada gozo de desejo.

Assim nos entregamos ao infinito, quanto a mim, sempre ermo.
Regozijo-me de teu ventre,
Em teus seios sempre me perco.

Sei que não é dia, não é hora e nem local.
Não é fato, não é boato e nem sei se a mereço.
Não importa se é o dito ou se é o tal.
Pois é no olhar, no entreolhar,
Que nos entrelaçamos, nos fundimos, somos desejos!

Se fechar os olhos, eu percebo
Sim, é o dia, é a hora, é o local.
Do desejo, tremulo, estremeço
E ainda que não diga nada, tenho certeza que aqui eu te mereço!

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