
O velho e bom Blues Nacional... em um ensaio de arranhões nas cordas do violão, aquela rouca
voz tenta dar vida ao refrão:
"Estou sentado em minha cama
Tomando meu café pra fumar...
Estou sentado em minha cama
Tomando meu café pra fumar,
Sou um canceriano sem lar..."
Sem falsas expectativas de tentar entender o que o compositor quis dizer com isso, em uma breve paródia teço o meu refrão:
Estou sentado neste café, tentando não vomitar.
Estou sentado neste café, tentando não desmaiar.
Sou um pobre estudante... Sou um pobre idealista
Que diante a realidade, venço a batalha de todos os dias.
Tentando, conseguindo não cometer suicidio.
Realmente, não consegui alcançar o auge do meu intento, não consegui fazer nada... pois a tristeza de viver em uma sociedade demagógica corrói meu peito.
Vejo as pessoas,
até mesmo gosto delas,
mas não a pertenço.
Gosto do povo,
entendo o povo
mas não sou do povo.
Vejo a elite,
não entendo a elite...
Vejo a sociedade,
não a entendo,
e se entendo não a compreendo.
É triste enxergar as maselas do sociedade, reconhecer a podridão e pecar por compactuá-la.
Não sei se a violência atingiu o seu ápice ou se foi a mídia que diante da liberdade de impressa conseguiu fazer um ótimo trabalho em divulgar tudo aquilo que eramos felizes em não enxergar.
Infelizmente não temos mais a liberdade de exercitar nossa ignorância... não dá... hoje não dá... precisamos descansar...
Por falar em trabalho, aquela musica do Renato Russo, onde diz que "sem trabalho não sou nada, não tenho dignidade, não sinto o amor, não tenho identidade." Mas que porra de trabalho é esse ? Você sabe ? Alguém sabe ? Se alguém souber me mande um e-mail... pois ultimamente esquecemos nossos ideais e quebramos a cara, vivendo a vida de outros, somente em razão do dinheiro.
Preferia ser um ermitão que andasse descalço e pelado... pelado... pelado...
Estou indignado com tudo e com todas as escolhas, somos direcionados a fazermos o que não gostamos, seja por status, seja por dinheiro, seja por ternos e gravatas, seja pelo tinteiro... Vamos pedir piedade, senhor piedade... para essa gente careta e covarde (eu visto essa camisa)...Ou melhor, protagonizando o meu papel de prostituta social, clamo pelo dinheiro:
Deus, me de grana...
Deus, Por Favor...
Deus me de grana....
seu filho esta numa de horror...
Horror, é exatamente isso. Estou horrorizado, sentado neste café sabendo que não fumarei com a plena certeza de que logo serei fumado por essa sociedade que momentaneamente degusta seu café, e seu porventuramente o café vier premiado com um fiapo a culpa é do saco do feijão.... a propósito: FEIJÃO, me traga um café.
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