quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Causo do PESCADOR



Meu velho pai já me dizia: "Quem conta um conto, encanta com o conto!". Pois aqui estou, querendo contar a velha estória do pescador. Não que seja mentira, ou que não passe de uma simples locução metafórica. O fato é que creio na possibilidade de sempre podermos tirar proveito dos provérbios populares.

Senho assim, segue:

E o velho pescador, que todo dia santo (no Brasil todos os dias) saía, em seu velho barquinho à remo, ao mar para trazer seu miúdo pescado e vendê-lo na praia.
Ele saía todos os dias, independente de ser dia, de ser noite, de estar sol ou chovendo. Possuia a ordem da maré como seu único chefe e relógio-ponto. Sempre em busca do seu pescado miúdo e singelo.

Um veranista que, assim como muitos, acompanhava a labuta do velho e precário pescador, não resistiu necessidade de aconselhá-lo, haja vista sua experiência empreenderora, até que um belo dia chegou ao pescador e disse:
- O senhor é muito burro!

Não bastava a simples exclamação, o velho ressaltava:
- O senhor é uma grande anta, nasceu para sofrer!

Não bastava tais palavras depressiativas:
- Nunca via uma pessoa tão burra quanto o senhor!

O velho pescador, insatisfeito com aquelas afirmações indesejadas, questionou o veranista:
- Eu ? Burro ? Quem é o senhor pensa que é para me chamar assim? Em algum momento lhe dei liberdade para me depreciar. Não venha o senhor pensar que pelo simples fato de eu ser uma pessoa simples que irei tolerar tais insultos.

Não contente com a resposta do pescador o veranista ponderou:
- Não me interprete mal, ainda que o senhor seja uma anta, você não sabe trabalhar, não sabe ganhar dinheiro, pois veja:
1º Todos os dias sai ao mar para pegar os seus minguados peixeis e depois vender para o atravessador na praia.
2º O atravessador por sua vez, acaba pagando um preço muito abaixo do mercado, de modo que ao revendê-lo no mercado terá um lucro de 300% sobre o seu serviço.
3º Se o senhor preparasse o seu peixe, vendesse-os no mercado, teria um lucro muito maior e não precisaria sofrer tanto assim.

O pescador, que apesar de ser uma pessoa simples, analisou o comentário e assim expôs:
- Tã somente agora consigo perceber que realmente sou uma anta, sou uma pessoa burra, pois veja:
1º Se pegasse meus peixes e os prepasse e revendesse no mercado, teria um lucro muito maior;
2º Com o meu lucro, poderia comprar um barco melhor, com motor, e pescar no mar, onde realmente tem peixes maiores;
3º Com mais peixes, maior a venda e maior o lucro;
4º Com o lucro maior poderia ter mais de dois barcos pescando simultaneamente, com maior produção pesqueira e maior venda no mercado;
5º Com a demanda tão grande, teria que comprar caminhões, congeladores, contratar funcionários, montar uma representação na cidade;
6º Conforme meu negócio pesqueiro fosse aumentando, teria que expandir meu mercado consumidor, revendendo meus peixes para outros Estados;
7º Com a prosperidade, teria que morar na cidade para tomar conta dos meus negócios, pois são os olhos dos donos que engorda o gado. Por sinal, talvez devesse investir em gado e no mercado de ações;
8º Trabalhando tanto, talvez em uns 20 a 30 anos possa me aposentar, e daí fazer realmente aquilo que eu realmente gosto: sair todos os dias num barquinho a remo, pegar meus peixes e vendê-los na praia.

Não bastasse a análise o pescador ressaltou:
- Analisando tudo isso, realmente sou muito burro por não poder esperar uns 20 a 30 anos para fazer o que hoje eu faço. SOU UMA ANTA! Não sei como consegui viver sem a observação do senhor.

MORAL DA HISTÓRIA: Ali naquele morro passa BOI, passa BOIADA. Só não passa JACARÉ porque não tem ALPISTE. Ou seja, guarde seus comentários, sua sabedoria e analise para você, salvo se um dia for solicitado.

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